12 - Parágrafo pessoal Filosofia da Caixa Preta (Flusser)

   A leitura desta obra chamou minha atenção em vários aspectos. O primeiro deles é a facilidade com que os seres humanos, na tentativa de facilitar algo, criam novos mecanismos que acabam se transformando em armadilhas nas quais eles mesmos caem. Essa síntese refere-se ao fato de que os seres humanos criaram imagens para representar a realidade física. No entanto, eles se perdem nessa representação e passam a acreditar que a imagem é a própria realidade física.

    A partir disso, eles inventam a escrita e a utilizam para descrever a imagem e, assim, escapar do fanatismo visual no qual se envolveram. No entanto, eles próprios se tornam fanáticos pela escrita e passam a considerá-la como a própria realidade. Posteriormente, inventaram a fotografia com a intenção de mostrar o que a escrita tentava descrever, ou seja, a imagem que, por sua vez, seria uma representação da realidade.

    No entanto, eles se afundam cada vez mais nessa tentativa de desconstruir o fanatismo e passam a usar a imagem de maneira pretensiosa. Essa manipulação é evidente quando a utilizam para manipular as pessoas, criar críticas sociais e, consequentemente, tirar a capacidade de autocrítica dos leitores. A imagem passa a ganhar importância tanto na formação da opinião popular quanto na exposição daquilo que o fotógrafo "defende", além de influenciar.

    À medida que a fotografia se torna popular, ela acaba sendo banalizada e usada para diversos propósitos, inclusive sem motivo algum. Torna-se um vício o ato de fotografar absolutamente tudo, sem sequer saber o significado daquilo. Torna-se algo automático e desnecessário. Consequentemente, os fotógrafos encontram barreiras para explorar a fotografia de maneira mais profunda, uma vez que ela se perdeu na superficialidade criada pela popularização.

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